 |
| Plateia do teatro ovacionando atores durante apresentação artística. Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Na última sexta-feira (19), quando a noite caiu mansa sobre o Centro Histórico de Santos, o Teatro Clube da Eskyna voltou a acender suas luzes como quem insiste em lembrar à cidade que a arte não é luxo, é necessidade. O “Repeteco do Cabaret”, concebido como uma releitura da noite inaugural do espaço, esteve longe de ser apenas a repetição de um êxito recente. Foi, antes de tudo, a confirmação de que há encontros que pedem bis, que exigem permanência e que só fazem sentido quando se transformam em continuidade.
Havia no ar um clima de intimidade rara. Não aquela intimidade fabricada, mas a que nasce quando artistas e público respiram o mesmo espaço, compartilham o mesmo silêncio antes do aplauso, o mesmo riso que escapa sem pedir licença. O Cabaret voltou mais maduro, mais confiante, como quem já sabe onde pisa e para onde quer ir.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
A discotecagem de Rafa Rouxinol, talentoso DJ santista, abriu caminhos sonoros que iam muito além de simplesmente embalar a noite. Cada faixa parecia cuidadosamente escolhida para preparar o corpo e o espírito para o que viria depois, criando um estado de atenção e entrega quase imperceptível, mas profundamente eficaz.
Era um convite sutil ao deslocamento, à escuta atenta, à disponibilidade para o encontro. A música não ocupava o espaço como pano de fundo, mas dialogava com ele, respirava junto com o público e se integrava à atmosfera do teatro. Sons que acolhiam, provocavam e conduziam, revelando uma curadoria sensível, daquelas que entendem que, antes do espetáculo, também é preciso afinar o olhar e o sentir.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
As intervenções performáticas do Núcleo de Pesquisa do Teatro Clube da Eskyna surgiram como lampejos inesperados, ocupando os intervalos como quem sabe que o entremeio também é cena. Corpos em estado de presença, gestos que interrompiam o automatismo do olhar e devolviam ao público a atenção plena. Ali, o teatro não pedia explicação. Ele simplesmente acontecia. E isso bastava.
Entre essas esquetes, Nath Telles brilhou com suas danças de Cabaret, trazendo leveza, charme e uma alegria contagiante que atravessava a plateia. Suas entradas funcionavam como respiros vivos entre uma atração e outra, pequenas celebrações do corpo, do humor e da sensualidade, capazes de aquecer o ambiente e manter acesa a chama da noite. Cada aparição era um convite ao encantamento, conduzido com sensibilidade, presença cênica e um diálogo direto com o espírito do Cabaret.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Outro momento marcante foi a performance de Henrique Eliezer, o Flor, que interpretou Ney Matogrosso na canção Sangue Latino. Não se tratava de imitação vazia, mas de uma leitura respeitosa e intensa, carregada de entrega e personalidade. A força simbólica da música, somada à presença cênica e à ousadia da interpretação, criou um instante potente, desses que arrepiam e permanecem ecoando mesmo depois que a luz baixa. Um tributo vibrante a um dos maiores ícones da música brasileira, feito com verdade e coragem.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
E havia também Caíke Barboza, o verdadeiro showman da noite. Animado, alegre, expansivo, gentil e profundamente acolhedor, Caíke conduziu o público com uma energia rara, daquelas que não se forçam e não se esgotam. Dançava, interagia, improvisava e fazia piadas no tempo exato, arrancando risos constantes e espontâneos da plateia. Sua mente criativa se revelava a cada intervenção, provando que provocar o riso exige inteligência, escuta e sensibilidade. Não é qualquer pessoa que consegue sustentar o riso coletivo do começo ao fim, e ele o fez com generosidade, carisma e talento.
Essas ações lembravam, com delicadeza e ousadia, que a arte também vive no intervalo, no risco e no improviso. É ali, muitas vezes, que ela se mostra mais livre, mais próxima e mais humana, desafiando o conforto e ampliando a experiência de quem se permite ficar.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Quando Natália Carvalho surgiu em cena com sua dança burlesca, o ambiente pareceu, por instantes, suspender a própria respiração. Havia ali uma combinação rara de elegância, humor e força, sustentada por um domínio preciso do tempo cênico e do gesto. Cada movimento parecia calculado e, ao mesmo tempo, livre, como se o corpo conduzisse a narrativa sem pressa e sem excesso.
O burlesco, também conhecido como Burleske, longe de qualquer caricatura ou exagero vazio, apresentou-se como linguagem refinada e plenamente consciente de si. Dialogava com a tradição, reconhecendo suas origens, mas afirmava autonomia ao se atualizar no corpo e na presença da artista. O resultado foi um instante de beleza franca, sem disfarces ou concessões, daqueles que permanecem na memória não pelo impacto imediato, mas pela delicadeza e pela verdade com que se oferecem ao olhar.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Logo depois, o flamenco tomou o espaço com Rayza Rafaela no ballet e Marcyo Bonefon no cante e na guitarra, contando ainda com a participação especial de Liliane Bettini no cajón. Era impossível não sentir o chão vibrar. O ritmo nascia no compasso marcado, atravessava o corpo e se espalhava pelo ambiente, ocupando cada canto do teatro.
Ali, o flamenco não soava como algo importado ou distante. Tornava-se presença viva, pulsante, quase íntima, como se sempre tivesse pertencido àquele espaço. Rayza dançava como quem narra uma história sem palavras, usando os pés, o tronco e o olhar para conduzir emoções que iam da contenção ao desabafo. Marcyo, por sua vez, sustentava a cena com intensidade e precisão, equilibrando força e sutileza no cante e na guitarra, enquanto o cajón de Liliane costurava o ritmo com firmeza e sensibilidade. O conjunto criava uma atmosfera densa e arrebatadora, daquelas em que a arte se revela simultaneamente ancestral e urgente, lembrando que certas expressões atravessam o tempo porque continuam necessárias.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
A cena teatral, inspirada em “Uma Tempestade”, de Aimé Césaire, ganhou corpo com Luiz com Z e Matheus Elias, da Cia Beltrana (sim... não é cicrana, nem fulana: é Beltrana!). O texto, carregado de camadas políticas e poéticas, encontrou intérpretes à altura. Não havia excesso, tampouco timidez. Havia densidade. A palavra soava necessária, afiada, provocadora. O teatro, ali, cumpria sua função mais nobre: inquietar sem gritar, questionar sem simplificar.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Espalhada pelo espaço, a economia criativa também fazia sua parte, ocupando o teatro com delicadeza e sentido. O brechó De Olho, sob a curadoria atenta e generosa de Ella Cavalcante, revelava não apenas peças, mas histórias escolhidas com afeto, sempre acompanhadas de uma escuta acessível e próxima de quem se aproximava. Já os discos da Flor Discos, conduzidos por Henrique Eliezer, o Flor, ofereciam mais do que música em vinil: eram convites à conversa, à partilha de referências e ao prazer de descobrir sons apresentados com cuidado e paixão por quem vive o próprio projeto. Ali, comprar era apenas parte do gesto. Conversar, trocar, reconhecer e descobrir completavam a experiência, reafirmando que a cultura se sustenta em rede, em encontro e em circulação viva de ideias e afetos.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Nada disso, porém, acontece por acaso, tampouco se sustenta apenas pelo entusiasmo de uma boa noite. Há, por trás de cada detalhe do projeto, um olhar atento, sensível e profundamente comprometido com o fazer cultural. Um olhar que observa o tempo, escuta os artistas, entende o público e, sobretudo, enxerga a cultura como trabalho contínuo. À frente dessa construção está Cibelli Piacentini, diretora e criadora do Teatro Clube da Eskyna, cuja atuação revela uma rara combinação entre sensibilidade artística e visão empreendedora.
Cibelli compreende que fazer cultura hoje exige mais do que boas ideias ou curadorias inspiradas. Exige coragem estética para apostar no risco, na diversidade de linguagens e na experimentação, mas também inteligência prática para transformar sonhos em estrutura, projetos em agenda, encontros em permanência. Sua visão ultrapassa a simples programação de espetáculos. Ela pensa o teatro como organismo vivo, em constante diálogo com a cidade e com as pessoas que a habitam.
Ao final do evento, a noite ganhou contornos ainda mais íntimos e potentes com um momento de microfone aberto, transformando o palco em território de escuta, partilha e coragem. Público presente e integrantes da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo puderam declamar poesias, manifestar opiniões, cantar e ocupar o espaço com suas próprias vozes, reafirmando o espírito coletivo e democrático que atravessou toda a programação.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Em especial, o artista Manuel Maria declamou o poema Exaustão do Corpo, de sua autoria, em uma apresentação de tirar o fôlego. Cada gesto e cada palavra eram atravessados por emoção genuína, criando um silêncio atento e respeitoso na plateia. Foi daqueles momentos em que o tempo parece desacelerar e o corpo inteiro escuta.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Na sequência, inspirada pela força da apresentação anterior, Nath Telles retornou ao palco para declamar o poema Eva, também de sua autoria. A leitura veio carregada de sensibilidade e presença, estabelecendo um diálogo direto com o público e ampliando o clima de entrega que já tomava conta do espaço.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
Outro instante marcante foi protagonizado pela atriz e arte-educadora Karol Ramos, que emocionou a todos ao cantar, com sua bela e firme voz, uma canção que enaltece o teatro. A música, extraída do espetáculo O que nos mantém vivos, que Karol assistiu recentemente, soou como declaração de amor à cena e à resistência artística, arrancando aplausos sinceros e olhares comovidos.
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
O ator e fotógrafo Kayke Gomez também tomou o microfone para declamar um poema de Gonçalo Ferreira, texto que carrega no coração e que ganhou nova camada de sentido em sua interpretação contida e afetiva. Logo depois, Priscila Romero apresentou um poema autoral, declamado com intensidade e sentimento, levando o público à euforia e sendo recebida com muitos aplausos.
Além dessas apresentações, diversas pessoas da plateia se sentiram convidadas a participar, cantando e declamando poemas autorais, em um encerramento que não separava palco e público. Era a confirmação de que, naquela noite, a arte não estava restrita a quem se apresentava oficialmente, mas circulava livre, viva e compartilhada entre todos que decidiram ficar, ouvir e se expor.
O que se constrói ali é um espaço de pertencimento real. Um lugar onde artistas são tratados com respeito, escuta e dignidade, onde cada apresentação importa e cada processo é valorizado. O público, por sua vez, não é mero espectador, mas parte ativa da experiência, acolhido desde a chegada até o último aplauso. Há afeto na recepção, cuidado na curadoria e coerência na proposta.
Em tempos em que tanto se fala sobre a crise da cultura, o Repeteco do Cabaret surge como resposta silenciosa e firme. Apoiar a arte local é um gesto político, afetivo e necessário. É garantir que noites como essa continuem acontecendo. É permitir que a cidade se veja, se escute e se reconheça.
Mais imagens:
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
 |
| Foto: Gabriel Resende Nascimento / Revista Brasileira de Cultura |
0 Comentários